Brasil: missão de todos nós

Tons de amarelo, verde, azul e branco rasgam o céu nacional neste dia 7 de setembro.
Estão em movimento no balançar inquieto das bandeiras que certamente estão hasteadas em
muitos lugares de nosso Brasil. Entre as cores, ritmada como que no compasso do remelexo
das ondas do mar, é possível visualizar a expressão já conhecida do povo brasileiro, imersa
na constelação que representa nossas unidades federativas: “Ordem e progresso”.

São as palavras outrora escolhidas para representar uma nação que, no presente
momento, infelizmente visualiza horizontes que pouco dialogam com os princípios que
regem a verdadeira ordem, o verdadeiro progresso. A ordem que deveria direcionar
representantes sociais a atender as demandas, com ética e responsabilidade, de todos os que
depositaram neles sua confiança. O progresso que deveria ser horizontal, com vistas a
contemplar diferentes setores populacionais e conferir dignidade aos pobres, aos esquecidos e
marginalizados. Variáveis perdidas em uma equação de difícil resolução.

Nosso tempo do agora, assim, é marcado por incertezas, por nuvens nebulosas. É
difícil contemplar o sol. Na penumbra dos dias, o que se sobressai é a nossa força, a nossa
coragem. O nosso grito. Porque sabemos que, em uníssono, podemos chamar a atenção para
as nossas realidades e cobrar, a quem nos deve o devido respeito e atenção, benesses,
melhorias, caminhos para o bem comum. É a existência que acena.

Desta feita, é com grande alegria que a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,
pertencente à Arquidiocese de Fortaleza, acolhe a proposta da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB) de que, neste dia de 2017 em que rememoramos a independência
do país onde fazemos morada, possamos promover uma reflexão sobre a importância da vida
mediante, principalmente, a participação dos paroquianos no movimento Grito dos Excluídos.

Juntamente ao evento, o Conselho Permanente da CNBB também pede às
comunidades que orem juntas pela atual conjuntura nacional, no dia que se sugere ser
chamado de “O Dia de Oração e Jejum pelo Brasil”. Momentos que têm como objetivo
suscitar em nós um desejo ainda mais forte de alterar o que ainda falta ser mudado, de
pressionar e cobrar às autoridades o devido valor aos distintos contextos nos quais estamos
inseridos.

Tendo em vista, de forma mais relevante, que nosso cotidiano permanece sendo
assolado pelo insuficiente favorecimento de políticas e ações que concedam maiores
possibilidades a crianças, jovens, adultos e idosos de exercerem sua cidadania de forma plena
– uma carência que aumenta, entre outras coisas, o descrédito às instituições e serviços
públicos por parte da população, por exemplo -, o convite hoje é para que nossa fé seja um
sentimento engajado e em constante saída, assim como anunciou o Papa Francisco na
Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. Porque isso também é ser igreja e ser consciente
de seu papel na esfera social.

Quem sabe, um dia, quando fitarmos a bandeira nacional no alto do céu, consigamos
enxergar para além das palavras lá tecidas, lá impressas. Consigamos perceber novos ares e
perspectivas da nossa pátria que continua amada, que continua sendo o nosso Brasil, uma
missão dada a todos nós.

 

Diego Barbosa

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